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Meu relato da Campus Party (atrasado, eu sei – ATUALIZADO)

Categorias: Apple, Campus Party, Debate, Eventos, Games

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Campus Party Brasil 2011: Eu fui.

Campus Party Brasil 2011: Eu fui.

Olá turma, aqui começa o meu relato de como foi a Campus Party 2011 para mim, que pela primeira vez lá estive, e para completar, como imprensa credenciada. Já que (ainda) sou editor desse site de alto garbo e elegância (como diz meu amigo Tiago Andrade), nada mais honesto de minha parte anotar, relatar e observar o que tenho visto por aqui. O que vocês lerão é um resumo dos quatro posts que coloquei no meu blog pessoal, se quiserem ler com mais detalhes, basta irem até lá.

Antes da minha chegada

Na terça, dia 18 de janeiro (quando cheguei a São Paulo), a chuva foi a vilã (segundo a Eletropaulo), e provocou a queda de luz no pavilhão por mais de uma hora, sendo precedida por outra queda, agora curta. Houve a procissão da Santa Banda Larga, gente pedindo uma graça… Conforme vocês podem ver no YouTube.

Falta de luz - a de sexta-feira.

Falta de luz - a de sexta-feira.

Bem, segundo a Eletropaulo a queda de luz foi em todo o bairro, como disse. Mas alguns campuseiros relataram-me que viram todo o bairro aceso, e só o Centro de Exposições Imigrantes apagado. Ora, será que eles não preveram a possibilidade de um apagão? Afinal, quando chove em São Paulo no verão, é chuva violenta, com possibilidade de quedas de luz. O aluguel de um ou mais grupos geradores ia bem. Economizaram por um lado mas chamuscaram a sua imagem no outro lado. Na sexta, dia 21 de janeiro, ocorreram mais duas quedas: A primeira foi no início da tarde, e que fez o MalcomTux pular da cadeira ao meu lado e gritar, socando o ar: “Dez minutos!“. Não entendi nada, mas ele explicou que a organização do evento prometeu a retomada total da energia elétrica em no máximo 10 minutos. Levou 15. Dá para aceitar sem broncas. A queda foi contida em parte pelos geradores que mantiveram o cubo de vidro da Telefonica no ar, e alguns pontos estratégicos. Mas nessa, a rede foi paralisada novamente. Para ser exato, houveram 2 quedas da rede na sexta. Se vi direito, o consumo de banda não alcançou o topo oferecido pela patrocinadora do evento, mas mesmo assim houve cortes e com isso reclamações.

Infraestrutura que deixou a desejar

Para começar a conversa, achei a chegada muito confusa: Desculpem organizadores, mas… Reitero a afirmação, de que achei a chegada à Campus Party muito confusa. Eu, pelo menos, como imprensa credenciada, não sabia onde pegar o ônibus no Terminal Jabaquara, e tive que perguntar um bocado de gente até alguém me dizer. Faltaram avisos na saída do metrô. Finalmente consegui descobrir o microonibus parando a 3 quadras do metrô. Em compensação, o resto foi tranquilo, com o microonibus conduzindo os campuseiros até o Centro de Exposições Imigrantes.

Outra coisa incômoda era o excesso de calor humano. Aliás, o excesso de calor em geral. Apesar dos ventiladores com borrifador de água, o calor é forte. Mas nada que um carioca não resista. Os paulistanos e o pessoal do Sul, por sua vez, devem estar sofrendo. Já nós, cariocas, e os amigos do Nordeste estão sentindo-se em casa. Um matogrossense me disse que estava sentindo frio… E nessas horas lembrei do Riocentro, que alguns falam mal, mas foi eleito o melhor centro de exposições da América Latina e tem ar-condicionado em 4 dos seus 5 pavilhões…

Uma curiosidade é que tudo na Campus Party é muito grande: São 6500 campuseiros, num espaço de alguns milhares de m2, com uma banda larga de 10 Gbps, vários patrocinadores, montes de oficinas… E muita gente com a cara enfiada no desktop/notebook/netbook/whatever. Engraçado como muitos preferem ficar na companhia dos seus micros ao invés de moverem as bundas (gordas e magras) e ir até as palestras. Teve gente que mal levantava para almoçar, ou como disse o Tato Tarcan ao pessoal do Papo de Gordo: “Estou cogitando usar fraldas geriátricas para nem ter que levantar daqui!“. Claro, com muito bom-humor, mas houveram exageros. Mesmo num evento desses, um get a life caía bem.

Ah, outra coisa que era grande era o preço da comida: R$ 4 por uma garrafa de água mineral de 500 ml, R$ 20 por dia de estacionamento, ou um prato de yakisoba pequeno por R$ 7. Caro mesmo.

Olha as quedas de tráfego que ocorreram ao longo do dia.

Olha as quedas de tráfego que ocorreram ao longo do dia. E não foi só nesse dia, ocorreram em outros também.

A internet é realmente rápida. Cheguei a baixar um CD do Ubuntu 10.10 em 2 minutos (média de 7 Mb/s), e todo mundo gera tráfego, de uma forma quase inimaginável. Os gráficos que são expostos no quiosque da Telefonica mostram isso. Mas no dia em que eu cheguei, algumas bancadas estavam sem acesso à rede. Essa falha ocorreu novamente ao longo de alguns dias, com picotes na conexão, o que desagradou algumas pessoas (ou muitas). Mas nem tudo eram flores, a infraestrutura montada pela Telefonica deixou a desejar em alguns momentos: O acesso quase instantâneo a alguns sites ficou mais lento do que na minha casa, com o meu ADSL de apenas 2 Mbps, acreditem se quiser. No caso de torrents, a flutuação é normal, mas a variação era maior do que a esperada. Muito maior. Sim, um dos torrents (uma série de 3 temporadas dos anos 1980) eu fechei em casa. Não teve jeito. Mas deu para acumular uns 80 Gb de arquivos, incluindo algumas ISOs de DVDs de Linux (a Debian toda, que tal?).

A chuva desabou de forma BEM violenta às 14 horas da sexta, 21 de janeiro, e um vento fortíssimo uivava do lado de fora do Centro de Exposições Imigrantes. Estava tão violento que tive que fechar o meu netbook por causa dos respingos de água. Sim, respingou água dentro do pavilhão. E eu estava no MEIO do pavilhão, muito próximos ao centro do mesmo, onde estava o cubo de vidro da Telefonica, ao lado da “sala de imprensa” e do quiosque da assistência técnica (que desassistiu alguns conhecidos meus). Mais uma falha que arranha a imagem do evento.

E as pessoas?

Podcasters comendo pizza!

Podcasters comendo pizza!

É bom conhecer pessoalmente pessoas fantásticas que só conheci via Internet, e alguns vê-lo de perto. Por exemplo, Jurandir Filho (Rapaduracast) e Alexandre Ottoni (Nerdcast) sendo entrevistados pelo Leo Lopes (Radiofobia), assim como RodReis (Papo de Artista e Universo Who Podcast, que tenho a honra de participar), Vinícius Schiavini e Tiago Andrade (Kombo Podcasts, que gentilmente hospedam o Retrocomputaria). Também foi bom rever amigos como o pessoal do Baú Pirata (Júnior e jabour_rio, meu “quase-primo”), conhecer o povo bacana do Guerrilha Geek… Podcasters conhecidos e desconhecidos, blogueiros, famosos e não-famosos, celebridades, sub-celebridades, não-celebridades e outros tantos, anônimos e ainda alguns que querem aparecer. Tem de tudo. Aliás, uma das atrações da Campus Party 2011 era o pessoal do Nerdcast, Alexandre Ottoni (jovemnerd) e Deive Pazos (azaghal). E parte da turma se manifestou por lá: Eduardo Spohr (“A Batalha do Apocalipse”), BlueHand, entre outros. Não, não fui lá olhar eles dando palestra. Por quê? Porque não havia nada de novo a ouvir… Embora fosse algo realmente novo: Eles fizeram um NerdCast ao vivo, praticamente. Não me incomodo com o fato dele serem “estrelas nerds” que eles alcançaram merecidamente. Não os invejo, não desejo ter essa posição e eles não são estrelas (explico melhor no próximo parágrafo). O que incomoda mesmo é o nível de fanatismo que alguns fãs deles tem: O Deive comentou que um fã desmaiou ao apertar a mão dele. Relatos parecidos o Gustavo Guanabara já contou em Guanacasts passados. Caramba, tem gente sem noção. No palco, fãs só faltaram dizer que o NerdCast ajudou ele a curar o câncer, obter a paz mundial ou revolucionar a ciência. Falaram, falaram, falaram… E não disseram nada.

E quanto às estrelas? Olha, como disse, de estrelas eles não tem nada, ambos são muito simpáticos. Só não falei com eles por não ter parado e tido a oportunidade. Minha timidez também não ajuda, e fiquei em débito com o Eduardo Moreira (TargetHD e Spinoff), além de ter falado tão pouco com o Jurandir. Quando o jovemnerd e o azaghal sentaram-se para gravar a seção de emails do NerdCast 241, na mesa de som do Leo Lopes, logo se avoluma uma pequena multidão para assistir o evento. É bacana vê-los, são estrelas de primeira grandeza dentro da constelação da Campus Party, sentando na bancada de podcasters, batendo papo, falando abobrinha e rindo, como a gente fez em boa parte do tempo.

Maratona Podcastal!

Maratona Podcastal!

Rir, aliás, é o melhor remédio, e o Radiofobia, na pessoa do Leo Lopes e do Quessa, e com o auxílio do Tato Tarcan, do Professor Maury, da Daniela Monteiro e de tantos outros protagonizaram dois dias de maratona podcastal, a #maratonapod. Foi tão comentada que chegou ao 2o lugar nos Trending Topics do Twitter no Brasil. O Leo é radialista, sabe fazer um programa ao vivo como poucos, e leva o Radiofobia como se fosse um programa de rádio AM. Não é à toa que ganharam o prêmio Podcast de melhor podcast de humor em 2009. Na sexta, dia 21 de janeiro, a mesa de som, o iPad usado para scratches, os notebooks e os microfones profissionais deram lugar a um potente gravador com entrada para mais 2 microfones, e a corrida para os lados, para catar possíveis convidados (ou não) para um programa especial Campus Party do Radiofobia. Vocês podem ouvir, já saiu, foi o episódio duplo 49. A Maratona Podcast foi transmitida via Twitcam, e foi simplesmente hilária, você certamente se cagâmbala de rir.

Ainda tive uma salutar e produtiva conversa com um patrono dos podcasts nacionais,o grande Sérgio Vieira (Impressões Digitais), pessoa de cultura vasta e simpatia imensa, e que conseguiu falar num podcast sobre topologia matemática de uma maneira tão apaixonada… Que nem eu, que sou matemático, conseguiria explicar. Foi uma das melhores conversas que tive na Campus Party, e um dos melhores contatos que estabeleci. Essas conversas fizeram valer o encontro.

No sábado, a maioria dos podcasters estava no Tour Gastronômico do Papo de Gordo. Parece que foram mais de 50 pessoas, dessa vez. Só espero que o último prato não tenha sido a canja de galinha do Hospital das Clínicas

As oficinas e os debates

Assisti poucas oficinas, preferi os contatos (entreguei vários cartões do Retrocomputaria) e deixei para baixar do YouTube palestras interessantes. Mas assisti algumas oficinas e debates, e a primeira foi do meu chapa Rodrigo Troian e do Vinícius John, sobre… OpenWRT. As oficinas são espaços interessantes para prática, já que teoria só não basta. E a turma flashou roteadores, instalou e configurou alguns brinquedinhos com o firmware amigo da rapaziada… Aliás, não descobri a tempo da Campus Party qual roteador que suporta 804.11n, tem porta USB e pode ter o OpenWRT instalado, só fiquei sabendo depois do evento (tem um Linksys que tem isso tudo, mas o Rodrigo me falou de um da TP-Link que também tem tudo isso e é bem mais barato). Agora não dá para fazer mais o serviço, só em casa. Mas foi uma oficina para lá de divertida, eles acabaram me botando até para falar, vê se pode…

Gustavo Guanabara dando aula, ops, fazendo oficina.

Gustavo Guanabara dando aula, ops, fazendo oficina.

Outra que assisti foi a do Gustavo Guanabara sobre podcasts. A oficina foi muito boa: Houveram dicas que mesmo para gente com alguma experiência em edição (como eu, com 60 episódios no ar do Retrocomputaria) vai aprender. O linguajar foi bem acessível, a comunicação fácil, e ele não se prendeu às ferramentas, apesar de precisar delas para apresentar como as coisas funcionam. Claro que não gostei dele falar mal do Audacity, e nem todos tem dinheiro para comprar o Soundbooth ou o GarageBand. No final das contas, nem ele mesmo gostou, pois numa conversa (gravada) com o Vinícius Schiavini (Kombo Podcasts), ele falou que foi infeliz na sua afirmação. É, eu concordo, o Audacity não é o melhor programa para edição de áudio, mas é muito bom, embora gaste muito espaço com dados. E sim, ele trava. Mas já aprendi a contornar o seu gênio temperamental… Se bem que ele gosta do Mevio e eu abomino. Aí fica no “elas por elas”. Outra coisa que gostei foi também de estatísticas, como contabilizá-las, e algumas dicas de sites que podem fazer esse “serviço sujo”. A oficina em si foi ótima, embora não tivemos prática (o que é um paradoxo “oficinal”), e tive inclusive algumas idéias sobre edição que envolvem o Ardour (o “clone” open-source do ProTools) e o Audacity. Preciso estudar o primeiro. Gostei do que ouvi, apesar do marketing pró-Apple…

Debate de podcasts.

Debate de podcasts.

Ainda tivemos o debate sobre podcasts, com a presença da Mafalda (do Monalisa de Pijamas), Alan Polar (do Nerdrops), Eduardo Moreira (TargetHD e SpinOff), Leo Lopes (Radiofobia) e o Maestro Billy (do programa do Luciano Huck, da ABPOD e por aí vai). Foi um debate rico, com inestimáveis dicas sobre pautas, convidados, montagem, direitos autorais de músicas, e principalmente a transformação do seu podcast em algo profissional: A necessidade de um media kit, estatísticas de acesso… A mídia podcast ainda é muito nova, e a maioria das agências de publicidade não despertaram para esse novo meio de propaganda. Formatos de áudio, histórias engraçadas, problemas… E quando acabou a luz, aí é que a coisa desandou, com o Leo Lopes partindo para a piada corporal (fica feio falar que o amigo estava fazendo macaquices), e o Moreira indo questionar, na platéia, quem viu e gostou do final de Lost… Felizmente (ou não) o microfone estava sem funcionar, mas o streaming de vídeo continuou, graças aos no-breaks. Se não editaram, experimente ver e tentar ler os lábios do Moreira. Sim, ele nunca gostou de Lost, o que é uma novidade para todos que nunca ouviram o SpinOff. Engraçadíssima, além de preciosa conversa.

Curiosidades

O Tux no alto de um chapéu... E um humano embaixo.

O Tux no alto de um chapéu... E um humano embaixo.

Achei por lá um monitor CRT de 15″, um gabinete full tower, um chapéu com um Tux colado em cima, um boneco do Bart Simpson… Tem de tudo, além dos indefectíveis notebooks, netbooks, desktops, cabos de rede… Fotografei notebooks em estilo vitoriano, canecas de cerveja infláveis, perucas sobre tripés e banners tortos. Vi gente em massa fazendo check-ins no Foursquare, mais de 900 pessoas com roupão do BB tentando ir para o Guinness, uma bandeira de um estado brasileiro projetada no teto… Vocês podem ver melhor no meu álbum de fotos. As fotos não ficaram lá muito boas por causa da iluminação deficiente do local, e também porque eu evitei usar flashes: Se eu bato a foto, o flash pisca e ilumina o que está no primeiro plano. Se eu quero pegar o que está no segundo… Desiste. Por isso tive que contrabalançar com uma ISO alta e menor velocidade de abertura, mas um tripé fez falta.

A exposição

Na área de exposições da Campus Party (aberta a todos) havia vários estandes, e alguns locais para exposições relacionadas. Por isso há no meu álbum fotos de itens relacionados, como o carro movido a bateria de nobreaks, o relógio movido a água e um sapo (da @agenciafrog) usando um notebook.

É só isso mesmo. E toca vídeo full-HD.

É só isso mesmo. E toca vídeo full-HD.

Uma parada no estande da AMD, e conversei longamente sobre a tecnologia Fusion, as APUs (que reúnem processador dual-core + processador de vídeo + chipsets ponte norte e sul numa peça única – e pequena)… Além de tirar muitas fotos. Algumas ideias sobre media-center para a sala de casa foram devidamente adiadas. Já que prefiro AMD, vamos esperar pois a promessa é que o dito cujo vai ser bom. Eu, pelo menos, vi uma plaquetinha dessas tocando um vídeo em full-HD (Transformers 2), e o cooler era uma ventoinha muito simplória. A APU da AMD consome 18W apenas. Detalhe: Ela traz uma GPU Radeon HD série 6000 junto.

Ainda teve o robô da Petrobrás (operado por 2 pessoas, um controlava o robô, e outro mexia com a fisionomia dele), o “super-piano” (semelhante àquele do filme “Quero Ser Grande”), e outros itens. Ganhamos brindes, comprei algumas coisas (como duas camisas e um livro), vi e fotografei algumas coisas interessante.

E o Woz?

Steve Wozniak. Reverenciem o mestre, novatos.

Steve Wozniak. Reverenciem o mestre, novatos.

Não enganaria ninguém ao dizer que a minha principal motivação para ir à Campus Party foi Steve Wozniak. Sim, ver e ouvir o Woz, um dos heróis da minha geração, não tinha preço. Para quem não o conhece, saiba que se não fosse ele, não teria existido Steve Jobs, Apple, iPhone, iPad, iPod, Mac… Ele começou tudo, aos 25 anos, quando montou o que nós entendemos como computador pessoal.

E lá vou eu para a coletiva de imprensa dele, no sábado, 22 de janeiro. Pergunto como é o esquema para um amigo, Rafael Rigues, da PC World, ele me dá algumas dicas e lá vou eu, meio assustado, já que é a primeira vez em que sou imprensa credenciada. Como a maioria ali, eu queria um autógrafo do Woz na autobiografia dele (que eu tinha comprado pouco antes), e fazer uma pergunta a ele.

Filmei boa parte da coletiva, na medida com que era possível, já que a câmera trepidava, sem tripé, a iluminação não ajudava… E eu cansava. Fiz várias fotos desse sujeito simpaticão, pouco mais novo do que meu pai (60 anos), e com um iPod nano no pulso (direito). Ainda filmei… E consegui fazer a pergunta! Perguntei a ele sobre o que ele mudaria no projeto original do Apple II.

Antes que alguém diga que a pergunta é tola, o que perguntei a ele é pertinente: Afinal, ele criou o Apple I e o Apple II, viu sua criação vender 7 milhões de máquinas pelo mundo, mas ele saiu da Apple em 1987. Ele não faz mais parte do dia-a-dia da empresa que fundou há mais de 23 anos. Não adianta perguntar sobre iPad 2, sobre iPhone 5 ou os planos de dominação mundial do Jobs. Aliás, nem sobre a saúde de Steve Jobs ele pode opinar muito, e não falou nada que não sabemos.

O Rigues perguntou-o a respeito de uma afirmação no blog dos desenvolvedores do Android, que dizem que os fabricantes terão que tomar uma posição: Ou fecham o aparelho completamente, ou permitem que o usuário faça o que quiser com ele. Woz saiu bem pela tangente, quase perpendicular, e não respondeu à pergunta.

Babs, do Garotas Geeks, e um Mac Classic II... Que funciona!

Babs, do Garotas Geeks, e um Mac Classic II... Que funciona!

Quanto à minha pergunta, ele falou sobre o uso do Microsoft BASIC (ele queria evitar o fato), sobre colocar unidade de ponto flutuante no Apple II, e o mais só vendo o vídeo. Eu estava emocionado por um dos heróis da minha geração estar ali, respondendo uma pergunta minha. Um amigo meu teria infartado do coração nesse momento (se ele apertasse a mão do Woz, ele nunca mais a lavaria). No final da coletiva, pano rápido e Woz sai pela lateral, rapidamente, e deixa todos nós com o livro na mão, esperando a assinatura. A Babs, do Garotas Geeks, trouxe um Mac Classic II para ser autografado. Não foi ainda, mas ela foi o alvo das câmeras dos jornalistas presentes. Bem… Fica para o final.

Acaba a coletiva, vamos de volta para área dos campuseiros e eu sigo para ver a palestra, me enfiando no meio da molecada que quer ouvir o Woz (mas não faz a menor ideia do que ele fez na Apple). A aglomeração é grande, e fica díficil fazer fotos. Mesmo assim consegui registrar algumas da palestra, além de vê-lo chegando, tal qual estrela do rock, até o palco principal. Um amigo que tinha entrado como VIP liga, e me chama para a fila de autógrafos. O Woz autografaria na sala VIP, esse amigo foi barrado e ficou sabendo do fato. Como a fila estava no início, melhor ainda.

Na fila reencontro um ex-aluno meu, conheço algumas pessoas muito simpáticas, como um jornalista que disse-me que a minha pergunta foi a mais relevante de todas e um fã de Apple II, que trazia um mouse de Apple IIgs para que o Woz autografasse. Conversa vai, conversa vem… Mais de uma hora na espera.

2000 pessoas na fila... E aumentando.

2000 pessoas na fila... E aumentando.

Mais alguns problemas da organização surgem, quando nos retiram da fila para que pudéssemos tirar fotos do Wozniak autografando livros: “Mas vocês não podem pedir autógrafo dele. Fã é fã, e imprensa é imprensa“. Discordamos prontamente, e o jornalista responde de maneira exemplar: “Esse homem é meu herói desde os 10 anos de idade, eu sou fã dele. Não saio daqui sem o autógrafo dele, mesmo sendo imprensa“. Argumentei que as fotos dele já tinham sido feitas na coletiva de imprensa, só queria ser fotografado com ele, e o autógrafo. Conclusão… Pedido de desculpas a nós e voltamos para a fila.

Fila que, aliás estava bem desorganizada: Próxima a um bebedouro, e os seguranças ainda mandaram aproximá-la do móvel. Ou seja, veio gente com a desculpa de irem beber água, e ali ficaram, mesmo debaixo de protestos. A restrição de apenas um item a ser autografado pelo Woz (para que a fila andasse), não foi cumprida, já que vi gente subindo com 4 Macbooks debaixo do braço. Mais falhas de organização. No final, ainda foi formada uma segunda fila, dos dinamizadores (a equipe de apoio da Campus Party), e por pouco não ficamos parados, esperando que todos eles entrassem e recebessem seus autógrafos, para depois sermos atendidos: Debaixo de protestos, o apoio teve a brilhante idéia de misturar a fila, subindo algumas pessoas de cada uma das duas filas. E assim se fez.

O momento inesquecível da Campus Party para mim.

O momento inesquecível da Campus Party para mim.

Finalmente subimos, e tudo foi muito rápido. Sentei-me ao lado dele e disse, em inglês claro e direto: “Senhor Wozniak, este é o nosso cartão. Nós temos um podcast sobre retrocomputação, e falamos também do Apple II“. E o sorridente gordinho (como disse minha mãe) estendeu a mão, pegou o cartão, agradeceu e disse: “Interessante“. E ele pegou um pacotinho, abriu, pegou um cartão de visitas dele e me entregou. Fiquei branco na hora, mas sorri e estendi a mão a ele para cumprimentá-lo, o que foi respondido. Logo fui tirado às pressas, já que não dava para esperar muito, mas ainda consegui fotografar um amigo, atrás de mim, também com o Wozniak.

As curiosidades do cartão de visitas do Wozniak consistem em que:

  • Ele não dá esse cartão a qualquer um. Pelo contrário, ele só entrega esse cartão a quem ele considera interessante.
  • O cartão é feito de lâmina de aço, com alguns desenhos feitos a laser, e perfurações também.
  • O cartão traz o nome, email, endereço e número de telefone do Wozniak.

O próprio Wozniak já brincou dizendo que usaria o cartão para cortar bifes recebidos nos serviços de bordo das companhias aéreas aos quais ele viajaria… Mas é um troféu, o que coroou uma semana de correria, e fez valer a pena o esforço. Como diz meu amigo Marcio Lima…

Ajoelhe-se aos meus pés, filho de Jor-El!

Ajoelhe-se aos meus pés, filho de Jor-El!

Dali, o que sobrou? Aquele amigo meu, da PC World, infelizmente, ainda estava no meio da fila. O rapaz do mouse de Apple IIgs disse que o Woz se emocionou quando viu a procedência do mouse, assinou e parabenizou-o por ter o micro – todo autografado, na moldura, pendurado na parede. O jornalista conseguiu 2 autógrafos: Um na sua edição da autobiografia, e outro na edição da autobiografia que ele vai dar ao filho dele de presente. Teve gente descendo com iMac autografado, outros com Macbooks… O que é meio burrice, já que você vai vender depois o notebook, e vais fazer o que com o autógrafo? Pedir mais caro? Bem fez a Babs, que conseguiu o autógrafo dele (finalmente) no seu Mac Classic II.

E com isso fecha a Campus Party para mim. Acho que tudo que eu tinha de bom a relatar está aí. Fica o convite a todos para ir até o meu álbum de fotos e ver o que registrei de lá. Acho que vão gostar… Ou não.

Campus Party 2011

PS: O jabour_rio é meu “quase-primo” porque ele é amigo de um primo meu, e quase namorou com a irmã dele, logo, minha prima. Por isso, a “piada interna”.

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  • @daniloicy - 19 - São Vicente/SP

    Agora entendi o porque da demora do relato. Vc ficou esse tempo todo babando no artão q o Wozniak te deu né? :D

    Muito boa a matéria, queria ter ido na Campus Party mas infelizmente não foi possivel. Como consolo, uma amiga minha tirou uma foto com o Wozniak (a foto fico muito melhor com ela do lado dele xD) Fica pro ano que vem, sem o iWoz é claro :(

    [Responder]

    Ricardo Pinheiro Respondeu:

    @Danilo, coloquei o cartão num porta-retratos, como um troféu p/ uma batalha p/ falar c/ o homi. Logo q saí de lá fui questionado se iria vendê-lo, e eu disse q não. O Woz é um herói da minha geração, assim como o Zuckerberg é um p/ a turma + nova. N venderia o cartão dele MESMO.

    Até q n babei muito não, mas pelo menos tive q tirar uma foto c/ ele ao lado do meu rosto, né? Essa e outras vcs conferem no álbum q eu linkei lá embaixo, no fim da matéria.

    [Responder]

    fevereiro 27, 2011 @ 9:23 am
  • Felipe

    Parabéns pela matéria

    [Responder]

    fevereiro 27, 2011 @ 12:05 pm
  • muito bom a matéria, pena que eu não fui…

    [Responder]

    fevereiro 28, 2011 @ 8:36 pm
  • @bkinfoo - 13 - osasco

    Uau!! agora também entendi o porque demora não fui esse ano tbm mas ano que vem vou com certeza até la.

    [Responder]

    fevereiro 28, 2011 @ 10:05 pm
  • @jppcel - 15 Anos - Araguaína/TO

    ano que vem eu vou, a certeza!

    [Responder]

    março 1, 2011 @ 4:57 am
  • Lucas Rangel 16 anos Inglaterra Basingstoke
    @lucasluzim - 16 - Basingstoke

    Vlw Pelo post isto serve muito para quem nao foi

    [Responder]

    março 1, 2011 @ 9:14 am
  • Ich! A estação no Jabaguara é foda. Vc acha tudo, menos o onibus.

    [Responder]

    março 1, 2011 @ 3:20 pm
  • @zaza_rodrigues - 16 anos - Bertioga - SP

    É vendo você ter feito isso me deu vontade de ter ido…
    Que demora para colocar o relato hein? irairai
    Parabéns pelo troféu….

    [Responder]

    Ricardo Pinheiro Respondeu:

    @Isaias Rodrigues, no meu blog pessoal o relato (+ completo) já estava por lá, aqui apenas condensei, acrescentei alguns detalhes, e salpiquei algumas imagens. Da próxima vez… Vai lá e leia, assim você poderá ler + rapidamente. ;-)

    Cada um que me aparece…

    [Responder]

    Isaias Rodrigues Respondeu:

    @Ricardo Pinheiro, haha, I’m sorry, eu não conhecia seu blog ;)

    [Responder]

    março 2, 2011 @ 11:38 am
  • @doutorz - 23 - Paranavaí - PR

    Não fui, e pelas filas, não perdi nada…

    [Responder]

    março 2, 2011 @ 3:53 pm
  • Daniel Wey
    @falcaoazul - 39 - Sao Paulo

    Ricardo, adorei o teu post. Foi bem legal te conhecer na Campus Party! Agora, tá na hora de falar mais sobre Apple II no retrocomputaria, não é? :)

    [Responder]

    Ricardo Pinheiro Respondeu:

    @Daniel Wey, pois é, queremos no futuro um episódio SÓ de Apple II, mas em breve vc ouvirá de Apple… Mas n falaremos bem, já q iremos falar de Apple Lisa e Apple III. ;-)

    Q bom q vc está nos ouvindo, todos os comentários simpáticos e/ou construtivamente críticos são bem-vindos. :-D

    [Responder]

    março 4, 2011 @ 11:16 pm

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