
Scott McNeally, da Sun, e Larry Ellison, da Oracle.
Pois é, um dos meus primeiros posts aqui foi sobre Oracle, Sun e netbooks. Todo mundo achava que a IBM iria fazer o Grande Cheque, e comprar o sol. Mas veio Deus Larry Ellison, o dono do oráculo e passou a frente… Passou mesmo?
Há muitas dúvidas sobre o que vai acontecer com a Sun agora. Muito boato, muito falatório… Segundo o Robert X. Cringely, a IBM não queria realmente a Sun, já que a compra não fazia muito sentido: Muitas similaridades, e a absorção de uma pela outra teria muitas coisas a serem encaixadas. Um exemplo é a divisão de pesquisa e produção de microprocessadores: A IBM tem o CELL, a Sun tem o SPARC (que na verdade pertence à SPARC International, mas a Sun é quem a fundou), teriam que se juntar, e talvez um deles morresse no percurso.
Acho que a IBM não queria realmente a Sun, mas estava só deixando o boato rolar porque assim era possível ter uma pequena inflada nas ações. Além disso, a IBM é mais voltada a serviços hoje em dia (digamos 50%, pelo menos). A Sun é empresa de hardware e software, e pouco serviço. Iria levar muito tempo para adequar as duas filosofias de trabalho.
Mas não foi a IBM que levou, foi outra. Agora, o que o Oráculo faz com um Sol? Esquenta a mufa da Grande Azul. Para quem não entendeu…. Agora, o que a Oracle faz com a Sun? Incomode a IBM, ora. Mas antes a Oracle terá que lidar com algumas questões importantes:
- A linguagem Java está sendo libertada de várias patentes de software ao longo do tempo. A Sun tem feito isso aos poucos, mas se a Oracle resolve voltar atrás e fechar o Java, ela se estrepa feio. Afinal, boa parte da indústria está em cima, querendo essa liberação. Se ela não tornar o Java livre (matar não, ela não iria matar a galinha dos ovos de ouro), isso trará antipatia e inimizade para a Oracle. Logo, melhor não mexer em time que está ganhando.
- O MySQL poderia ser “morto”, numa dessas “limpezas” que as empresas fazem. Só que matar um software livre com aceitação dos usuários e desenvolvedores é impossível. Em projetos de SL, quando ocorre uma troca de licenças, por exemplo (de livre para comercial), é comum criar-se uma ramificação (um fork), e de lá o projeto renasce, a partir da última versão open-source dele. Ainda de quebra, defendido por usuários e desenvolvedores que gostam do produto. Do outro lado, a Oracle pode usar MySQL para pequenos servidores de banco de dados, que é um mercado inexplorado para ela. Afinal, nem todo mundo vai colocar um Oracle 10g para cuidar do e-commerce da padaria do Manoel Ladrão (*).
- E o que fazer com os outros projetos de Software Livre que a Sun está por trás? A Sun é sem sombra de dúvida, a empresa que mais investe em Software Livre no mundo: Além dos acima citados, podemos lembrar o OpenOffice, o Solaris, o ZFS, o VirtualBox, o NFS… E tem muito mais. Como ficam eles? A dúvida páira sobre as mentes dos desenvolvedores, e na cabeça da Oracle: O que fazer com isso tudo? Larry Ellison não comprou a Sun por causa do sorriso do Scott McNeally, ou pelo Jonathan Schwartz, atual CEO. Isso tem que ser rentável.
Mas, e o resto? O que fazer com a Sun como um todo? Dinheiro, ora. E se não rende fazendo algo novo, rende cortando gorduras. Aí é que mora o perigo. Porque a Oracle provavelmente começa cortando tudo o que não se encaixa na Sun e que faz parte do seu plano estratégico. Nessa, vai boa parte do orçamento em pesquisa e desenvolvimento, a possível venda do processador SPARC para algum integrador asiático… Empresas como a StorageTek, adquiridas pela Sun recentemente, podem até ser revendidas.
E a IBM, nesse rolo todo? A IBM vê nisso oportunidades.
- Segundo esse relatório da IDC, temos as seguintes curiosidades:
- No mercado de servidores que não usam arquitetura x86 (processadores RISC, por exemplo), a IBM mantém a liderança, com 42,8% do mercado. A Sun tem 18,2%.
- No mercado de servidores Unix (que retraiu-se 17,5%), a IBM cresceu, e assumiu a liderança, com 31%. A Sun está com 27,7%.
- No mercado de servidores em geral, a IBM está virtualmente empatada com a HP, em 29,3% do mercado. A Sun está quase empatada com a Dell, em 4o lugar, com 10,3%.
E mesmo com a compra da Sun pela Oracle, esses números não tem o que mudar: IBM na frente.
- A IBM também trabalha com banco de dados Oracle. Não são mutualmente excludentes.
- Ocorre um movimento constante de migração de grandes clientes, de bancos de dados Oracle para soluções IBM DB2 ou Informix. Motivo: Taxas de manutenção altas demais por conta do primeiro fornecedor.
- Desde 2006, há um crescimento de 10% na migração de soluções Sun para IBM, em termos de hardware.
- A incerteza sobre o futuro do SPARC, o processador que está dentro da maioria das soluções de hardware criadas pela Sun. O que a Oracle vai fazer com ele? E os grandes clientes preocupam-se com isso. E a evolução, o projeto ambicioso, o “Rock”, sai ou não? Grandes clientes preocupam-se pois a Oracle não falou nada do SPARC, e eles precisam de segurança, que o processador ainda vai ser muito usado.
- Um comentário que li no BR-Linux faz muito sentido: A IBM não costuma matar as suas empresas. A Lotus que o diga, ainda vive lá dentro. E a Oracle? Se lembro bem… Ela incorpora e elimina os traços, mantendo apenas “a grande mãe” de todos, a Oracle. Será uma perda descomunal se a marca “Sun” deixar de existir.
- A Oracle ainda é uma empresa de software e serviços. Agregar uma empresa de hardware, com produtos muito diferentes dos dela… Ainda vai dar muito trabalho para se adequarem. Será pior do que a aquisição da Lotus pela IBM, em 1995.
Ou seja… A Oracle terá trabalho pela frente, e a IBM, oportunidades de crescimento. Vamos ver no que dá.
PS: No mesmo relatório do IDC, tem uma curiosidade que não tem nada a ver com o papo, mas tenho certeza, renderá alguns comentários: A receita em soluções Microsoft Windows para servidores caiu 28,9% em 2008, enquanto a receita em soluções Linux para servidores cresceu – só não vi o percentual.
(*) A padaria do “Manoel Ladrão” fica perto daqui de casa, e era conhecida por essa… “Alcunha”. Exemplificando: Quando o governo falava que ia subir o preço do trigo, ele já subia o preço do pãozinho, por conta. Pelo menos era assim no meu tempo de criança.






































julho 10th, 2009 at 9:24 am
Belo artigo.
Muito bem escrito.
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julho 10th, 2009 at 10:22 am
2°post xD !!! muito bom a matéria!!!
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julho 10th, 2009 at 10:50 am
mto (grande) boa a matéria =)
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julho 10th, 2009 at 11:46 am
Obrigado, Rafael, João e Guilherme!
E… Eu sou prolixo, falo muito, escrevo muito… Deve ser por isso que não tenho interesse no Twitter.
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julho 10th, 2009 at 1:41 pm
Estou sentindo falta das suas aulas de HTML!
Parabéns pelo site, abraço.
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julho 10th, 2009 at 1:50 pm
Quando li “Oraculo” pensei que fosse o Google
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Ricardo Pinheiro Respondeu:
julho 10th, 2009 em 3:02 pm
Sim, Brenno, todo mundo pensa… Mas Oracle é oráculo, em português. Então…
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julho 10th, 2009 at 6:36 pm
Muitas dúvidas, acho que é bom investir em diversas áreas da informática, ficar focado em um só pode não ser muito bom, veja o google ( é sempre um exemplo) começou pela indexação viu um lado que ninguém tinha visto ou não tinha capacitação, e agora está em diversas áreas, vai dominar o mundo daqui a pouco…
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julho 11th, 2009 at 12:13 am
minha pergunta…..o solaris melhora?
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julho 11th, 2009 at 11:38 am
minha pergunta…..o solaris melhora?
Tb…
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julho 12th, 2009 at 12:14 am
Digogs, olha, nem tudo q o Google faz é sucesso absoluto: Google Talk tem pouquíssimos usuários, o Orkut só faz sucesso no Brasil (embora renda muita dor-de-cabeça para o Google), e tem vários produtos que são desativados pq não dão certo. Nem tudo q o Google toca é ouro, mas muita coisa dá certo sim.
Matheus e Rodrigo, o problema do Solaris é um só: Desempenho. N é à toa q ele é conhecido como Slowlaris. Em termos de sistema, há muito q o Linux pode aprender c/ ele, e o ZFS é o sistema de arquivos q meus HDs sonham em conhecer… Basicamente, você não consegue corromper uma partição c/ ZFS nem q vc queira. Mas por questões de licenciamento, não é possível usá-lo no kernel do Linux.
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julho 12th, 2009 at 4:49 am
A Oracle não pode acabar com o MySQL simplismente pelo fato de que, os usuários de mysql não irão paga o Oracle, talvez postgreeSQL, ou sejá,.. Se o mysql for eliminado, é dar usuários para concorrência, já que postgreeSQL querendo ou não é concorrente do banco de dados Oracle, certo? pois é, sendo assim e por outros motivos, o fato do mysql ter um fim não faz menor sentido mesmo.
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