[MEGArtigo] Linux não é igual a Windows
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Depois de algumas dúvidas sobre o que é Linux e o que é Windows, resolvi escrever um pouco sobre como as pessoas encaram o novo (Linux), ainda com os mesmos olhos para o velho (Windows). Esse texto é de autoria de Dominic Humphries, e é encontrado em inglês nesse link. Em português, há uma tradução feita pelo Antônio Braga Pimentel, nesse link. Farei um resumo e comentários a respeito, para ver se é possível clarear algumas mentes por aqui. Prepare-se porque ficou (bem) grande.
Algumas dúvidas que as pessoas encontram são:
O Linux não é um Windows, só que gratuito. Ele é muito diferente disso. Se você quer isso, experimente o ReactOS, está na versão 0.3.8 e em breve teremos um beta rodando por aí. Vale a pena. Bem, se o Linux fosse uma cópia, ele não poderia ser melhor do que o original,, ele seria simplesmente igual. Mas ele não é igual.
Se você atualizar o kernel do Linux, terá suporte aos drivers mais novos para a sua máquina – caso o fabricante tenha feito esses módulos para o kernel, ou tenha divulgado como eles funcionam. Do contrário, a culpa não é do Linux! É do fabricante que não mostra como a coisa funciona. Eu tenho uma controladora SCSI U320 da Adaptec no trabalho que não funciona a contento no Linux. Já tentei falar com o fabricante, sem sucesso. Estou no aguardo. No caso do Windows, você tem que visitar o site de cada fabricante, pegar os drivers e atualizá-los. Uma instalação e configuração de Windows leva mais tempo do que uma de Linux, principalmente porque você tem que ficar instalando drivers para tudo funcionar. Isto é fato.
Outro exemplo que derruba a idéia da cópia é o Firefox. Se ele fosse uma mera cópia do Internet Explorer, ele teria alcançado quase 23% do mercado de navegadores? Não. Ele consegue isso porque é melhor do que o IE. E não sou eu que digo isso, quase toda a imprensa especializada fala isso, categoricamente, e não é de hoje.
Lição número 1: Bem-vindo ao lugar onde as coisas são diferentes, porque somente aqui elas têm a chance de brilhar.
O Linux é muito diferente do Windows. Linux não tem letra de drive. Não tem vírus, trojans ou malwares. Você tem a opção de escolher entre vários ambientes de trabalho. Numa lista de gerenciadores de janela, encontrei quase 100. No Windows você tem um, e pode até trocar, só que é complexo. Aqui não, é bem mais simples do que parece.
Mas muitos reclamam que “existem escolhas demais” no mundo Linux. E isso é um problema? Eu não acho. Usuário Windows normalmente não está acostumado a escolher: Pega o que vem da Microsoft e usa. No máximo, troca o papel de parede, o tema do Windows XP e continua em frente. Não é culpa dele, ele só tem o Windows para usar, ora. No Linux, você pode customizar todo o seu ambiente. Das milhares de distribuições, das centenas de gerenciadores de janelas, das dezenas de ambientes gráficos, dos incontáveis recursos que você pode customizar… Você tem escolha, de deixar o ambiente do jeito que você quiser.
“Ah, isso confunde!” Confunde? Ué, usa o que é padrão e pronto, ora. Escolha uma distro e use. Se gostar, ótimo. Se não gostar, procure outra e experimente. Lembra da propaganda? Então: “Experimenta! Experimenta! Experimenta!” É isso.
“Muita distro atrapalha” Ah,tá… E quantos novos usuários de Linux que você conhece iniciaram instalando o Fox Desktop, o Ekaaty ou o Sabayon? Quase todos hoje em dia começam pelo Ubuntu, e muitos acham que Ubuntu = Linux. Quem quer usar Linux MESMO, pega uma e vai. E hoje em dia, a maioria esmagadora pega a distro com nome curioso vinda da África do Sul e com o slogan “Linux para seres humanos“. Raros são os que se aventuram pelo Fedora, Mandriva ou Suse, só para citar as tidas como mais… “Amigáveis” (termo que não gosto, e desconstruo mais embaixo).
“Mas precisa ser tão diferente?” Fazendo uma analogia… Quando você vai para a rua e vê veículos automotores passando, você vê o quê? Motos, carros, caminhões, ônibus… Entre os carros, existe uma variedade muito grande entre eles: De cor, de formato, de motor… Assim para motos e outros veículos. Mas todos são veículos, usam combustível fóssil no motor, rodam sobre o mesmo asfalto, levam pessoas e cargas para lá e para cá. Nisso são idênticos. Assim como Windows e Linux. Mas existem diferenças.
Algumas abordagens são diferentes. O usuário Linux não tem todo o poder sobre a máquina, o que é bom. Claro, usuários Windows acham isso um crime inafiançável, embora a Microsoft tenha percebido o erro e colocado um monte de caixas de confirmação no Windows Vista. Atitude muito louvável, diga-se de passagem. Ah, o Mac OS X tem muitas dessas também, e nunca um usuário Mac reclamou disso (talvez seja efeito do campo de distorção da realidade da Apple). Explicando: Imagine que você pegou um vírus no Windows, e está usando um usuário não-privilegiado, com permissões de gravação em alguns lugares, apenas. Onde ele contaminará? Apenas onde esse usuário pode gravar, ou seja, não é todo o HD. Agora, se você for o usuário administrador da máquina, o vírus poderá contaminar onde esse usuário pode gravar, ou seja: TODA a máquina. E aí, FORMAT C: e reinstale tudo.
Windows e Linux são como carros e motos, tem semelhanças e diferenças. Mas uma coisa é certa: Se você for um piloto experiente de moto, tendo carteira de habilitação e tudo, quando chegar no carro, você será um novato, e terá que cursar a auto-escola para se habilitar. E mesmo assim, há uma curva de aprendizado a ser respeitada. Ou você nasceu sabendo usar Windows, ou Linux? Neca.
Lição número 2: O Linux sempre esteve pronto para o desktop, o problema é que o usuário não quer mudar, ou não entende que as coisas mudam – em parte. Muitos acham que se eles não conseguem mudar do Windows para o Linux, ninguém consegue. Conversa fiada, normalmente usuários pouco experientes são os que migram mais facilmente, justamente por ter pouca familiaridade com o ambiente anterior. Os usuários que não tem medo da mudança migram ainda mais facilmente. Por isso crianças se dão melhor com computadores do que adultos: Elas não tem medo de errar.
Existe um choque de culturas. Ah, a história do código aberto, software livre, essas coisas, né? Por aí. No mundo Windows, o software é fornecido por uma empresa, e por esse software, em condições normais de temperatura e pressão, ela é remunerada por esse software. Sim, cópias não-autorizadas são uma praga, e falo delas num outro dia. No mundo Linux, existe uma comunidade, onde todos se ajudam. A presença da empresa é menor, mas existe. No mundo Windows existem comunidades, mas o sentimento que une esses membros não é tão coeso.
Daí, chega um usuário Linux novato, vindo do Windows. Faz uma pergunta num fórum, e aguarda resposta. Se não vier no prazo estipulado por ele, começa a reclamar, diz que Linux não presta, etc e tal. Um amigo, conhecido na comunidade Linux, diz que usuário é um problema sério: Usa Windows, mesmo com todos os problemas que ele tem. Aí resolve migrar para o Linux. Na primeira dificuldade, diz que Linux não presta e volta para o Windows!
Ninguém disse que as coisas seriam sempre fáceis. Linux é legal, mas assim como o Windows, tem coisas que não são fáceis de se resolver. Mas o pior problema é que o usuário não quer pensar. Quantos que lêem esse texto aqui já pararam e leram a Licença de Uso para Usuário Final, a famigerada EULA, que vem na instalação de qualquer software comercial? 99,9% só sabem fazer Next, Next, Next, Finish, e se for algo diferente, empaca e acha que o computador é complicado. Isso vale para qualquer coisa, se o usuário souber ler e interpretar o que está na tela, 2/3 dos problemas com computadores no mundo estão resolvidos.
Voltando ao pinguim: Suporte pago para Linux existe, e de ótima qualidade. Mas o suporte gratuito, do grupo de voluntários que usam o sistema porque GOSTAM dele, não tem responsabilidade de saber tudo, ou resolver todos os problemas. Meu irmão, quando instalou Ubuntu no micro dele, ficou impressionado com a velocidade das respostas que ele obtinha no fórum do Ubuntu-BR. Ele até brincava que o povo não trabalhava, só respondia perguntas… Mas teve vezes que a resposta não veio em 15 minutos, demorou mais, e ele foi paciente. Antes que digam, ele não mora mais no mesmo teto que eu, é engenheiro mecânico, o negócio dele é turbina, petróleo, essas coisas. Ele não é profissional de TI. Quer um bom suporte, que resolva todos os seus problemas, e rápido? Contrate um, como o da Canonical. Algumas modalidades são mais baratas do que uma cópia licenciada do Windows. Com a diferença que o suporte pago é válido por um ano.
Além disso, quem desenvolve o software não te dá garantias do software funcionar 100% sempre. “Ah, mas eu quero que o programa nunca trave!” Então desista de usar computadores, porque todos eles dão problemas. Uns mais, outros menos. Linux trava? Trava. Bem menos do que Windows, mas trava. Mac OS X também, e todos os outros softwares podem vir a dar problemas em algum momento ou outro. Uma opção que você tem é comprar uma licença de software comercial e acionar na Justiça a empresa caso você tenha perdido algo importante por causa de um bug do programa. Mas antes disso… Você leu a EULA (falei dela aí em cima), e tenha certeza de que a empresa não exime-se da culpa. Se você não pagou (cópia não-autorizada), pior ainda, você está ainda mais perdido do que o povo do software livre. No software livre, pode-se enviar emails ao desenvolvedor, propor correções, apontar erros e sugerir mudanças para melhor. E os desenvolvedores adoram isso. Dessa forma o software evolui.
Lição número 3: Lembre-se que você não pagou pelo software ou bancou o salário das pessoas que lhe fornecem suporte técnico. Eles não têm nenhuma obrigação, fazem isso por esporte.
Novo x Velho.O Linux é para muitos, uma caixinha de Lego: O prazer está em juntar os blocos para obter algo. Logo, não é o fim que vale, mas o caminho até lá. Quem já olhou o Linux From Scratch sabe do que eu falo: Para muitos, o ápice é montar a sua própria distribuição do zero. No outro extremo, temos gente que quer somente sentar e usar, como a minha esposa, por exemplo: Ela ganhou um pendrive de 2 Gb e usou-o 3 vezes, acho. Nunca descarregou as fotos do celular dela (há mais de 1 ano), e vez por outra quer acessar a Internet sem ligar o modem e o roteador… O diálogo entre esses dois extremos (o que quer montar tudo e o que não quer ter trabalho) é quase sempre conflitante: O primeiro acha ridiculamente trivial digitar comandos no console. O segundo acha que seus dedos irão cair e seus olhos irão queimar se seguir uma “receita de bolo“, copiando e colando os comandos na “maldita tela preta“, o console.
Hoje em dia, estão tornando o Linux mais “amigável” para aqueles partidários do segundo extremo. Mas as reclamações sempre existem: Novatos reclamam da existência daquilo que os usuários estabelecidos consideram ser características fundamentais, e não querem ler uma linha de manual para fazer algo funcionar. Reclamam de ter muitas distribuições, ou que o software tem muitas opções de configuração; ou que não funcionam perfeitamente quando instalados. É a mesma coisa que reclamar do Lego, que pode ser encontrado em muitos modelos e não como de fato que ele pode ser desmontado em partes e montado em muitas outras coisas.
Lição número 4: O Linux parece ser agora o que não era no passado. Quando eu comecei, era X11 e FVWM na veia, era tosco demais. Mas melhorou muito, muito mesmo. A maior parte da comunidade Linux gosta do Linux pela liberdade de montá-lo da forma que eles gostam. Aí está o prazer para os usuários mais avançados. Então, se você é um novato, procure ser paciente e usar distribuições para novatos. As mais populares o são. Use-as.
Software feito para fuçadores. Se você já mexeu no vi, deve ter ficado desconcertado de como faz para sair dele. Basta <ESC>:q! para sair, o que não é nada intuitivo. Já ouvi falar de gente que desligou o micro… Mas para quem conhece, isso é tão óbvio como respirar. Eu prefiro o joe, um editor de textos que usa as antigas sequências de CONTROL + alguma-tecla, presentes no WordStar, Turbo Pascal e outros editores mais velhos do que a maioria dos leitores desse texto. Afinal, aprendi Pascal usando esses atalhos. Para mim é mais intuitivo fazer CONTROL+KB e CONTROL+KK para marcar um bloco de texto.
Mas, se você não é um fuçador, use o GEdit, ou o Kate como editor de texto. É mais simples, funciona na interface gráfica, e resolve-se quase tudo num clique (ou dois). A mesma coisa vale para todas as outras situações. Existe muito software para Linux que não requer um curso para operar. Prefira esses. Tem quem goste de usar a calculadora do ambiente para resolver contas rápidas. Conheço quem abre um terminal e digita bc -l para fazer as mesmas contas. Qual é o problema? Eu acostumei tanto a usar o console que já várias vezes sentei numa máquina com Windows e abri o Prompt de Comando. E quase todos os Windows que preciso mexer estão com o Cygwin instalado. Logo, parte da funcionalidade do Linux está presente no Windows, graças ao Cygwin.
Lição número 5: Use software que se adapte melhor à sua situação. Não adianta achar que você vai ser o rei do vi se você não sabe o que <ESC>:1,$s/a/b/g significa. E se quiser sê-lo, trate de parar e aprender como funciona.
O mito do “amigável”. Segundo a concepção atual, um software é amigável quando ele é feito com as necessidades do usuário em mente. Só que isso é relativo: Se você passa a maior parte do tempo processando texto, você precisa de um BOM processador de texto: rápido, poderoso e que seja pouco dependente do mouse, mas que funcione muito bem com atalhos de teclado. Afinal, quando você usa o mouse, a sua outra mão pára. Quando você mantém as duas mãos no teclado, você ganha tempo.
E isso muda de acordo com o uso do computador: Uma pessoa que passe o dia usando programas de desenho precisa de uma interface com botões bem localizados, atalhos rápidos e muito espaço para desenhar. Quem administra servidores nem sempre precisam de interface gráfica, e o próprio Windows Server 2008 pode ser instalado sem uma. Notou como isso varia?
Mas ser “amigável” é sempre citado como um conceito único, o que não é. Amigável é melhor definido como “Software que pode ser usado com um nível razoável de competência por um usuário sem prévia experiência no software.” No final das contas, uma interface “ruim, mas familiar”, é considerada “amigável”. E essa é uma das maiores reclamações, pois as pessoas dizem que o Windows é “amigável”, mas ele é na verdade “familiar”. Lá vamos nós…
Familiar não é necessariamente amigável. Para um usuário Windows, marcar uma palavra e apagá-la sem usar o mouse é a seguinte sequência de teclas: Shift-Seta Para Direita e Delete. No caso do vi, basta um dw. Se forem 5 palavras, repete-se no Windows a primeir a sequência de tecla 5 vezes, e um Delete para encerrar. No vi, manda-se o comando d5w e tamos conversados. Mas já vimos que o vi não é amigável, certo? Mas não se digitou muito menos comandos para fazer a mesma coisa? Então é amigável? O usuário consegue fazer o que ele quer rapidamente. A gente gosta de dizer que o Unix em geral (Linux incluído) é amigável. A diferença é que ele escolhe os amigos dele.
Lição número 6: Ser “amigável” não é “o que eu estou acostumado”. Tente fazer as coisas do seu jeito habitual, se não funcionar, tente trabalhar como um novato faria.
Ineficiente não é necessariamente amigável. Muito software tem meios de auxiliar o trabalho do usuário, como as rodinhas que colocamos nas bicicletas das crianças: Depois que elas conseguem se equilibrar, podemos tirá-las. Mas no Linux, as “rodinhas” não são parte fundamental do software, pelo contrário: São funções extras.
Você pode fazer muitas coisas na linha de comando. Nesse exato momento, meu micro está executando um script que eu tenho para preparar vídeos que peguei na Internet para serem vistos pelo meu DVD-player. Ele recodifica, acerta o aúdio, coloca a legenda e salva o resultado. A linha de comando? Morram de medo:
nice -n 15 /usr/local/bin/mencoder -forceidx <arquivo> -sub <legenda> -fontconfig -subfont-text-scale 3 -ovc lavc -lavcopts vcodec=msmpeg4 -oac lavc -lavcopts acodec=mp3:abitrate=128 -o <resultado>
Isso é estranho? Ô, se é. Mas é eficiente, ele já fez 6 vídeos, e está no penúltimo agora (são 8 no total). E eu estou escrevendo enquanto ele faz o “serviço sujo”. Fazer com o mouse, converter um a um, seria um saco de ser feito. Mas para alguns, é mais amigável, o que eu discordo. Para mim, esse script que eu estou usando para fazê-lo faz aquilo para o qual se propõe. E eu estou satisfeito com ele.
Mas se você não quer usar a linha de comando, tem como fazer isso na interface gráfica? Claro. Existem vários front-ends para quase todos os softwares de linha de comando: Para gravar CDs e DVDs, tocar vídeos, converter imagens… Mas fazer pela linha de comando, para mim, muitas vezes é mais amigável do que fazer um a um, via mouse. Já gravei muito CD e DVD usando a linha de comando. Isso para mim é amigável, mas para outros não é. Ou seja, o conceito é relativo.
Lição número 7: As “rodinhas” são um extra, não estão necessariamente no produto principal. E tem vezes que elas não podem estar no projeto. Então acostume-se com isso, ou procure outro software para fazer a mesma função.
Imitação versus convergência. Algumas falácias que surgem eu vou relacionar abaixo:
- O Linux veio do console para a interface gráfica, para copiar o Windows. Bem, o sistema X original surgiu em 1984, sucedendo o sistema W, portado para o UNIX em 1983. O Windows 1.0 foi liberado em 1985, mas não foi levado a sério até o 3.0, de 1990 (apesar do Steve Ballmer tentar vendê-lo) – nesta época, o X Windows já estava há anos no estágio X11 que é usado até hoje. O Linux só apareceu em 1991. Então, o Linux não criou uma interface gráfica para copiar o Windows: ele simplesmente fez uso de uma que existia muito antes do Windows aparecer.
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System 7, da Apple.
O Windows 95 trouxe coisas como arrastar e soltar; barras de tarefas e muitas outras. Todas elas obviamente copiadas pelo Linux. Também não, sinto muito. O Mac OS (System 7, na época) estava por aí, com várias dessas idéias implementadas, assim como o NeXTSTEP. E algumas das coisas feitas pelo System 7 foram copiadas do Xerox Star, muito anterior a isso tudo (final dos anos 1970). A Microsoft inclusive respondeu um processo que a Apple abriu contra ela, por copiar o “look and feel” da interface… 3 ou 4 anos na Justiça, e se resolveu tudo com um acordo. Idéias não são patenteadas (ainda bem), mas interfaces são.
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NeXTSTEP
O Linux tenta imitar o Windows. Também é furada. Tubarões e golfinhos tem formato parecido: São hidrodinâmicos, tem nadadeiras e vivem no mar. Mas um é um peixe e outro é um mamífero. Mas convergiram para uma necessidade em comum, que era a sobrevivência no mar. Ou seja, convergência. O Windows, até o 3.11 tinha uma interface tosca. O Linux, nos primeiros gerenciadores de janelas (FVWM, TWM, etc) também eram feiosos. Só que ambos evoluíram, e acabaram convergindo para interfaces modernas (Aero, Gnome, KDE), assim como o Mac OS X, hoje em dia com o Quartz e o Aqua.
Lição número 8: Só porque são parecidos, não quer dizer que são iguais, ou que um imitou o outro. E se realmente imitou, qual é o problema? Idéias boas estão aí para serem compartilhadas, não vendidas a peso de ouro.
Essas coisas de software livre… Ah, o software é livre, então podemos tudo com ele? Sim e não. Você pode usá-lo do jeito que quiser, pode compartilhá-lo, estudar o seu código fonte e copiá-lo para quem você quiser. Mas não pode vendê-lo.
Microsoft e Apple querem vender licenças de sistemas operacionais. Elas são empresas, e ganham dinheiro com isso. Algum problema? Não, nenhum. Compra quem quer. O preço é alto? Reclame com eles, o produto é deles e eles vendem pelo preço que quiserem. E estão certos, é direito deles. RedHat, Mandriva, Novell e outros “vendem” Linux? Não exatamente. Eles cobram pelo serviço de cópia, pelos manuais impressos, pelo suporte. Um RHEL 5 traz um contrato de suporte atrelado a ele. A Novell tem o OpenSuse, para quem não quiser um Suse customizado do jeito dela (como o SLED), com suporte e tal. O sistema continua livre, mas empresas estão fazendo dinheiro com ele, já que vem de serviços, não de produtos apenas.
Mas tem muita gente que faz por prazer, hobby ou porque acha legal. Linus Torvalds não ganha dinheiro com o Linux, no máximo ele terminou o mestrado, conseguiu um bom emprego na Transmeta, e depois foi para o OSDL. Stallman não lucra nada com o Linux, embora viaje muito, e o Maddog tem uma empresa que desenvolve soluções para sistemas embarcados baseada em Linux. Alan Cox é funcionário da Intel, e Marcelo Tosatti teve salário pago pela Conectiva. Mas o Con Kolivas fez vários patches de aceleração do kernel, e é médico, morador da Austrália. Fez por quê? Porque quis, ora. Por prazer, farra, diversão, porque achou legal, por isso tudo ou por nada disso.
Tudo que a comunidade Linux quer é criar um Sistema Operacional livre, realmente bom e cheio de recursos. Se disso resultar que o Linux se torne um SO tremendamente popular será ótimo. Se disso resultar em o Linux tenha a interface mais intuitiva e amigável jamais criada então será ótimo. Se isso resultar em o Linux se torne a base de uma indústria multi-bilionária então será ótimo.
Será ótimo, mas não é o objetivo. O objetivo é fazer o Linux ser o melhor sistema que a comunidade for capaz de fazer. Não para outras pessoas: para ela mesma. Se outras pessoas entram para a comunidade (como você, que está lendo esse texto), melhor ainda. As questões tão comuns “O Linux não estará pronto para o desktop enquanto não fizer isso ou aquilo” são irrelevantes: a comunidade Linux não está tentando tomar o desktop. Eles realmente não se importam se são bons o suficiente para ir para o seu desktop, desde que ele seja bom o suficiente para permanecer nos desktops deles. Se tomar o desktop de outros, será consequência de um produto realmente bom. Isto é o que a comunidade Linux quer: um sistema que possa ser instalado por quem quer que realmente queira. Esqueça o xiitismo de alguns, e do interesse desmedido por lucro de outros. Eles são minoria.
Lição número 9: Se você está considerando mudar para o Linux, primeiro se pergunte o que você realmente quer. Não deixe de conhecer as alternativas do mercado além do Windows (como o Linux), mas não pense “Por que devo querer o Linux?”. Pense “Por que o Linux me quer?”
E chega por hoje. No dia em que o Gustavo me chamar para um podcast sobre Linux… A gente fala mais a respeito!

Cara, muito show esse post! tenho muita vontande de usa o linux!! so não instalei porque não é so eu quem uso o meu pc, mas logo, logo vou compra meu notBook e finalmente testa o Linux! vou espera ansioso pelo podcast sobre Linux. Valeu Ricardo! continuie assim, sucesso cara! flw, abraço!
julho 14, 2009 @ 10:09 am
Grande post Ricardo, a comunidade agradece, concordo em tudo que está escrito, sou um usuário mediano do Linux, como disse temos nossos problemas como qualquer sistema, linha de comando é apaixonante, conheço usuários do Windows que falam ai que saudade do “DOS”, mas acham terrível ter que usar a linha de comando no Linux…vai entender!! Uso o Ubuntu e me apaixonei por essa distribuição, fácil de usar, tem tudo que eu preciso, mas uso outras distribuições também, pois as diferenças são poucas, por fim não vejo a ora do Gustavo te convidar para o podcast….vai ser demais!!
Viva o Linux!!!
julho 14, 2009 @ 10:14 am
Caro Jackson, se quiser não precisa nem instalar, pode usar o live-cd para testar, dual-boot com o Windows, ou no momento o jeito mais legal(na minha opinião usar virtualização recomendo o Virtualbox…
julho 14, 2009 @ 10:18 am
Concordo com muitos pontos desse texto , mas tem um grande poblema ,sistemas operacionais não são carros ,é outro conceito ,o grande problema do linux hj e as 365xxoxox distribuições,,se houvesse um esforço do usuarios ,não dos mantenedores ou distribuidores ,a coisa seria bem diferente ,a grande participação do linux em 1% do mercado poderia ser bem melhor se o usuarios prinicipalmente os mais experiente(lê se slackwaretard) tem um certo preconceito com os usuariso mais novos e outras distribuições , isso e ruim pra eles e para os outros.
Porquê MacOsx é Bsd unix,mas ninquem ve isso o usuario quer o sistema redondo , ai quando Google chrome Os(mesmo sendo linux),for maior do que as 365xxoxox distribuições ,ja vai ser tarde,quem perde com isso é o linux .
Obs: eu so linuxuser tanbém uso o LinuxMint 7.0 mas por comodidade,ja passei por varias desde sabayon a debian.
Abçsjulho 14, 2009 @ 10:38 am
Sério?! eu estava pensando em particionar o meu hd, tipo ,tenta fazer Dual boot – Windows e Linux no mesmo hd, mas eu vou procura o Virtualbox! valeu pela dica cara!
Ajudou muito! flw, Abraço.julho 14, 2009 @ 10:45 am

Jackson estamos ai para isso, sempre contribuir, essa é a comunidade Linux..
TweetFeel
O objetivo do TweetFeel é simples: analisar o sentimento das pessoas em relação a diversos assuntos. O site combina o que está sendo procurado em tempo real no Twitter com algoritmos de detecção de sentimentos.
Linux = 78% das pessoas tem sentimentos bons
Windows = 65% das pessoas tem sentimentos ruinsÉ um simples teste, mas acho que é valido para mostrar que o muita gente fala mal do Windows, mas tem medo de aprender coisas novas..
julho 14, 2009 @ 11:22 am
Não so muito fanboy do linux, windows ainda tem mais recursos e é mais pratico, e tambem tem o Mac OS X Snow Leopard esse sim tenho vontade de um dia ter!!!
julho 14, 2009 @ 11:52 am
Ricardo, parabéns pela iniciativa de resumir a idéia original e incluir opiniões acertadas sobre o tema. Programas amigáveis são pegadinhas para usuários de computador, onde a familiaridade é o que conta na verdade. Agora está faltando a resposta do Gustavo Guanabara, com um convite aqui no post para o episódio sobre Linux. Favor incluir no convite o “bêbado” do Cauê.
julho 14, 2009 @ 11:55 am
Uffa;… parecia um desabafo!
gostei da separação de divergência das aguas! =D
Que a Adobe lance o dreamweaver, fireworks e flash para linux um ida!
uhullll..
P.S.: a esperança é a última que morre….
julho 14, 2009 @ 12:09 pm
Ja li muitos textos na net, mas esse foi absolutamente sensacional, cada linha reflete o modo como penso, valeu pelo post vou indicar o post e viva a comunidade.
“…Unix em geral (Linux incluído) é amigável. A diferença é que ele escolhe os amigos dele.”
the best veris verdadis (by mussum)
julho 14, 2009 @ 12:22 pm
Estou no estágio e por isso vou deixar para chegar em casa, mas ainda mostro que vc faz parte de um grupo anti windows…
julho 14, 2009 @ 12:53 pm


Deixa, ja descobri que voce é quem foi um professor meu, eu vi seu blog e li vc dizendo q agora tbm posta aqui… hehe
Legal estar postando aqui tambem. Sucessos pra vc Ricardo.
Fui um aluno seu da faculdade no primeiro semestre desse ano.
julho 14, 2009 @ 3:10 pm








