Segundo definição da Wikipedia:
“A lógica (do grego clássico ??????, que significa palavra, pensamento, idéia, argumento, relato, razão lógica ou princípio lógico), é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à Filosofia. (…) Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar.”
A Lógica Matemática é o uso da lógica para entender o raciocínio matemático, usando princípios que permitem distinguir raciocínios válidos de outros não válidos. Ou seja, pode ser considerada como a ciência do raciocínio e da demonstração, algo que vai muito além do simples “verdadeiro e falso”.
Esse tipo de raciocínio é mais importante do que parece. Um dos exemplos mais práticos é o uso na programação, nas expressões condicionais. Fica muito mais claro e rápido desenvolver e compreender expressões lógicas. Além disso, desenvolve-se o raciocínio da demonstração – demonstrar um raciocínio logicamente, tanto na informática, na matemática ou no dia-a-dia.
Vou colocar alguns princípios da lógica, pois é algo que realmente vale a pena conhecer.
Proposições
Primeiro, alguns princípios mais simples sobre a lógica. O primeiro deles, o conceito de uma proposição.
Precisamos considerar que uma proposição é um conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um pensamento de sentido completo.
Ex: Gustavo Guanabara é professor.
O carro da estudande é azul.
O pato está ausente.
Toda proposição pode ser verdadeira, ou pode ser falsa. Não existe uma terceira opção. Esse é o princípio da não-contradição. Além disso, ela não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo (isso não é física quântica). Ou seja, Gustavo Guanabara não pode ser e não ser professor ao mesmo tempo. Chamamos isso de princípio do terceiro excluído.
Diz-se então que uma proposição verdadeira possui valor lógico V (verdade) e uma proposição falsa possui valor lógico F (falso). As proposições simples são sempre indicadas por letras latinas minúsculas, sendo mais comuns as letras p, q, r, s…
Exemplos:
p: ” 3 + 5 = 2 ” ( F )
q: ” 7 + 5 = 12″ ( V)
r: ” O Sol é um planeta” ( F )
s: ” Um pentágono é um polígono de dez lados ” ( F )
Negação
O símbolo ~ representa uma negação lógica, e inverte o valor da proposição. Ou seja, temos a falsidade caso a proposição seja verdadeira e a veracidade se a proposição for falsa.
Se p é verdadeiro, (~p) é falso. Se q é falso, (~q) é verdadeiro.
Logicamente, podemos perceber que negar uma negação é o mesmo que escrever a própria proposição. Imagine o valor de (~(~q))… se estamos negando novamente uma proposição que já foi negada, temos de novo o valor da proposição.
Operações lógicas
Podemos formar novas proposições compostas através de outras proposições através de operações lógicas, usando os chamados conectivos. Os conectivos são símbolos. Veja abaixo:
^(e) – representa uma conjunção
A Terra é redonda e a neve é branca – p ^ q
No caso p e q são conjuntos
v (ou) – representa uma disjunção
A Terra é redonda ou a neve é branca – p v q
No caso p e q são disjuntos
-> (se… então) – representa uma implicação
Se a Terra é redonda, então a neve é branca – p -> q
No caso p é o antecedente e q é o consequente
<-> (se e somente se) – representa uma bi-implicação
A Terra é redonda se e somente se a neve é branca (p<-> q)
No caso p é o antecedente e q é o consequente
Talvez a lógica do “e” do “ou” não seja difícil de compreender, ainda mais para quem já está acostumado com algoritmos e programação.
Na prática, quando temos proposições unidas pelo conectivo “e”, o valor da proposição final é o seguinte:
- Verdadeiro quando somente os valores de todas proposições que a formam forem verdadeiros
- Falso nos demais casos.
Quando o conectivo usado é o “ou“, o valor da proposição final é:
- Verdadeiro quando pelo menos uma proposição é verdadeira,
- Falso quando o valor de todas as proposições é falso.
Tabela Verdade
Conhecendo os valores lógicos das proposições nas operações, podemos fazer uma determinação dos valores lógicos das proposições compostas através da chamada Tabela Verdade.
O procedimento é simples. O número de linhas que a tabela vai ter é sempre igual a 2 elevado ao número de proposições simples que existem na proposição composta. A idéia é sempre ir intercalando os valores de verdadeiro e falso de cada proposição, de forma que tenhamos todas as possibilidades. Veja só:
1- Tabela Verdade de ~ p :
Temos só uma proposição, que é “p”. Então, temos 2¹ = 2 linhas de tabela. Escrevemos os valores possíveis de “p”, e em seguida analisaremos o valor da proposição “~p” de acordo com os valores de “p”.
p | ~p |
V | F |
F | V |
Simplesmente negamos o valor de “p” e escrevemos o resultado na coluna da proposição “~p”.
Essa foi bem simples. Uma mais complicada:
2 – Tabela Verdade de (q v p) ^p
São duas proposições, “p” e “q”, então temos 2² = 4 linhas de tabela. Vamos primeiro verificar os valores da primeira operação, entre parênteses, e com os resultados dela analisar a segunda operação, sempre começando escrevendo os valores de cada proposição.
q | p | (q v p) | (q v p) ^p |
V | V | V | V |
V | F | V | F |
F | V | V | V |
F | F | F | F |
Escrevendo os valores de “p” e de “q”, fizemos os resultados de ” q v p”. E usamos essa coluna de resultados com a dos valores de “p” para fazer “(q v p) ^p”.
Claro que a brincadeira pode ir muito mais longe do que isso. Misturando mais proposições e outros conectivos, a coisa fica realmente interessante. Bem, espero que tenham gostado desse artigo sobre lógica matemática, e se tiver ua boa aprovação eu continuo com mais posts sobre o assunto. Abraços, galera.

consegui ser o primeiro a comentar o post!!!!

lendo este post lembrei das minhas aulas de filosofia,quando eu quebrava a cabeça com esse negocio de tabela verdade.fevereiro 7, 2009 @ 9:51 pm
Segundo rsrs

Eu ja me lembrei das minhas aula de logica de programaçao, otimo artigo!fevereiro 7, 2009 @ 10:59 pm
Agora tô começando a entender…Já bombei em um monte de concurso por não entender direito esse negócio…
Mas agora tá ficando mais fácil…
vlw Marcelo, muito bom o artigo…
fevereiro 7, 2009 @ 11:18 pm
Peguei isso em lógica da programação, e realmente é uma boa base
fevereiro 7, 2009 @ 11:40 pm
Fala galera!
Muito interessante o post, principalmente para quem não tem conhecimento algum na área de programação.
Eu simplesmente gosto muito dessa área, e acho muito bom aprender a diferenciar as variaveis lógicas.Parabéns pela iniciativa!
Abraços a todos!
fevereiro 8, 2009 @ 12:22 am

Marcelo, parabéns pelo artigo!
Sou programador e já estou acostumado com tudo isso, mas é uma coisa que realmente deveria ser difundida entre todos, já que a lógica é uma “brincadeira” muito gostosa de se mexer.
Vão aqui alguns exercícios de lógica que eu vi não sei onde, mas ainda me lembro:
Preposições:
-Deus é amor.
-O amor é cego.
-Stevie Wonder é cego.
Conclusão:
-Stevie Wonder é Deus!Preposições:
-O Queijo Suiço tem buracos.
-Quanto MAIS buracos, MENOS queijo.
-Quanto MAIS queijo, MAIS buracos.
Conclusão:
-Quanto MAIS queijo, MENOS queijo.Tem mais uma infinidades de exemplos, mas o melhor (minha opinião) é esse:
Preposições:
-Me disseram que eu sou um Ninguém.
-Segundo a sabedoria popular: “Ninguém é perfeito”.
Conclusão:
-EU SOU PERFEITO!
Abraços Guanabarianos! Acompanho-vos desde o podcast sobre “A Evolução da Linguagem C”. Parabéns!
fevereiro 8, 2009 @ 11:26 am
@ Ricardo Viana , esse tipo de proposições que você sugeriu acima tem nome , são falácias, e por conseqüencia são argumentos inválidos para a lógica. Mas é claro são muito divertidos.

Quanto ao artigo em sí achei ótimo com poucas linhas o Marcelo conseguiu dar uma base de lógica que tem gente que leva um mês pra entender, quem tiver paciência em explorar no google esses conceitos que ele passou vai se dar muito bem
Meus sinceros parabéns , principalmente por não subjulgar a inteligência dos leitores achando que o tema é difícil, e coisas assim, e que por isso não é bom postar artigos mais técnicos pois os leitores podem se assustar, sempre tem os assustados e preguiçosos , mas mesmo eles merecem uma chance de ter esse conhecimento, que é básico para quem gosta de informática. 
E pro Gustavo Guanabara , quando teremos as carinhas do GRAVATAR aqui
fevereiro 8, 2009 @ 8:23 pm


@Nil Santana
Sim, eu sei que são falácias e que são inválidas para a lógica, mas é que sempre que vejo essas frases imagino-as como “lições de lógica” (ou, como diria minha mãe, lógica de jirico
).Abraços! E @Fredhy, acho que está bom sim!
fevereiro 9, 2009 @ 11:26 pm
Muito bom o texto, me lembra das minhas aulas de filosofia, os algoritmos dos podcasts e portas lógicas. =D
Aguardo a continuação. (parece que você já postou a parte 2 mas o link não está funcionando comigo :/ ).
fevereiro 15, 2009 @ 5:52 pm

Muito interessante esse artigo.
Mesmo nunca ter estudado nada sobre lógica da programação é sempre bom ter uma base.fevereiro 25, 2009 @ 2:00 pm
Opa, estou vendo essa matéria na faculdade, todos acham meio chatos, mais eu gosto bastante desse assunto, porque vai implicar todo curso! Gostei, vou ver os outros posts a respeito!
abril 2, 2009 @ 12:56 am



17 - Porto SeguroMuito legal o ensino da lógica. Isso ajuda a pessoas que não compreendem a lógica booleana a entendê-la de forma fácio. Com certeza é um inicio para entender a engenharia da computação que estuda a lógica. Quem achar fácio entender isso é porque realmente pode segui a carreira de engenharia.
agosto 3, 2011 @ 7:32 pm
34 - Caxias-MAGuanabara teu artigo está bom, mas percebi dois equívocos quando você se referia aos princípios da Lógica, onde se lê princípio do terceiro excluído é na verdade o princípio da não contradição e onde se lê princípio da não contradição é o princípio do terceiro excluído.
setembro 7, 2011 @ 6:56 pmComentar







